É possível aplicar o Protocolo com Perspectiva de Gênero na Justiça Penal Militar?
A resposta está contida no
próprio protocolo. Ao mencionar a necessidade de ser revisar
os conceitos de hierarquia, ordem e disciplina, os quais apesar de fazer parte
do militarismo, não podem ser utilizados para mascarar práticas sexistas e
misóginas ou que acarretem diferenciações de tratamento discriminatório entre
homens e mulheres. (Protocolo com Perspectiva de Gênero, pág. 119, CNJ, 2021).
Um exemplo
de tratamento sexista nas relações de trabalho com plano de fundo a hierarquia,
foi julgado através do Processo 83-08.2010.7.12.0012/AM pelo Superior Tribunal
Militar. O Tribunal, por unanimidade, conheceu e negou provimento ao Recurso
ministerial, para manter inalterada a Sentença a quo, no tocante à absolvição
da ex-3° Sgt Aer DANIELE GIL DE SOUZA, do crime previsto no art. 298, caput, do
CPM, por seus próprios e jurídicos fundamentos.
APELAÇÃO Nº 83-08.2010.7.12.0012 - AM -
Relatora Ministra MARIA ELIZABETH GUIMARÃES TEIXEIRA ROCHA. Revisor Ministro
ALVARO LUIZ PINTO. APELANTE: O Ministério Público Militar, no tocante à
absolvição da ex-3º Sgt Aer DANIELE GIL DE SOUZA, do crime previsto no art.
298, caput, do CPM. APELADA: A Sentença do Conselho Permanente de Justiça da
Auditoria da 12ª CJM, de 15/04/2013. Adv. Defensoria Pública da União.
O Protocolo
ainda menciona que para que exista a Perspectiva de Gênero é necessário uma
mudança nos artigos 70, 229, 232, 234, 234-A e 236, todos pertencentes ao
Código Penal Militar.
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