Porque a violência doméstica e outros tipos de violência contra a mulher ainda são temas discutidos atualmente?
Um tema recorrente em publicações
cientifica e também em diversos meios midiáticos, a violência contra mulher
continua seguindo em destaque na atualidade. Essa forma de violência é fruto de uma construção de décadas e que
continua a deixar suas marcas no século XXI. O ciclo da violência parece não
ter um fim e quando o país avança através de Leis e politicas públicas voltadas
ao combate desse tipo de violência, maiores são os números de vítimas,
principalmente nos dois últimos anos, período da pandemia do novo Corona vírus
(COVID 19). O contexto de pandemia levou muitas mulheres a permanecerem em casa
e com isso mais frequentemente com seus agressores.
A figura feminina, em momentos
históricos anteriores ao contexto recente, sofriam restrições como falta do
poder de decisão sobre casamento, trabalho ou qualquer outro tipo de liberdade,
incluindo sobre o próprio corpo.
Oprimidas por questões relacionadas à sexualidade, privadas do direito a
herança em algumas sociedades antigas e, sobretudo de outros direitos como
voto, trabalho, foram por muito tempo e em diversas culturas consideradas
incapaz de tomarem decisões pessoais.
E foi dentro desse contexto de
desigualdade que homens e mulheres foram assumindo papéis diferentes dentro da
sociedade, em que a mulher deveria se preparar para cuidar da casa e dos filhos
e o trabalho externo seria de responsabilidade masculina. Essa desigualdade de gênero construída há
séculos e perpetuada por gerações e tornou-se o principal combustível que
alimenta a violência doméstica. Alguns homens, criados dentro da visão
patriarcal e machistas, ignora direitos e liberdade adquiridos pelas mulheres
ao longo de muitas lutas. Liberdade que mulheres ganharam de se vestir, de
saírem de casa e exercerem uma atividade profissional, de tomarem decisões
individualmente e de forma coletiva.
A temática da violência doméstica
continua sendo pauta de destaque, sobretudo devido a uma série de fatores
ligados principalmente à cultura no qual toda sociedade está inserida. Uma
cultura de opressão as escolhas das mulheres, a liberdade e ao poder de decidir,
poder esse conquistado ao longo de muitas lutas. As Leis existentes em nosso ordenamento
jurídico, como a Lei Maria da Penha (Lei n° 11.340/2006) e Lei 13.104/2015 (Lei
do Feminicídio) são instrumentos, assim como outros, que desde sua origem
buscam combater a impunidade as práticas de violência que ainda são
disseminadas em nossa sociedade.
Para que o tema violência
doméstica deixe de ser pauta central em muitas discussões, é preciso construir
hoje o alicerce entre as atuais e futuras gerações, para que cresçam
respeitando as mulheres como sujeitos históricos e detentores de direitos
individuais e coletivos. Formação de uma cultura que não reproduza mais
o machismo tem que iniciar nas casas, nas escolas, nas instituições públicas e
privadas e nos mais diversos espações coletivos e que o publico seja capaz de
entender a importância dessa transformação.

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